sexta-feira, 23 de abril de 2010

a poesia dos cheiros

Existem um cheiro marcando forte cada lembrança minha, o leite de rosas da minha avó , o cheiro de bolo e café nas tarde da infância, o perfume do pai e da mãe, o cheiro de quentão, pinhão, das festas juninas, o cheiro de lenha queimando pra aquecer o inverno, as frésias na primavera, o cheiro das roupas da Argentina, o cheiro de marcela do meu primeiro amor, o cheiro de sexo quando o descobri, o cheiro da filha recém nascida, o cheiro de leite após a amamentação , o cheiro de terra molhada nas chuvas de verão, o cheiro de comida caseira , o cheiro do mar, dos primeiros pêssegos , das bergamotas, dos abacaxis de terra de areia, o cheiro de lençol limpo de hotel, o cheiro de citronela em Ilha Bela, o cheiro triste de eucalipto no leito de morte da minha avó( que antes cheirava a rosas), o odor que vira perfume quando nos apaixonamos, o cheiro ruim de quem deixamos de amar, o perfume que senti nas ruas de Paris, o cheiro do vinho que bebi em Brugges...
Ah, o quanto todos esses cheiros passados acabam sendo também personagens da minha história, mais que isso, autores, quando me assaltam inesperadamente e me levam de volta...
De repente um cheiro antigo num abraço novamente, um café da tarde, nas tardes que quase desisto, uma primavera de frésias em pleno inverno e rastros daquele amor de descobertas e crenças. Depois Paris, Ilha Bela, Itaqui, bergamotas no pé...Ecos de gargalhadas...A minha filha, com seus novos cheiros diariamente, framboesa, morango, pipoca, chocolate...e o cheiro dela, doce por natureza.
Ah, o cheiro bom do beijo, misto de respiração e saliva, quando nos apaixonamos...
Existem vários tipos de gente, há quem guarde fotografias, fitas de vídeo, discos de vinil, memórias em diários, livros com dedicatórias, eu sou uma saudosista olfativa, minhas memórias mais vivas são os cheiros que vivi e tenho guardados pra sempre.

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