quarta-feira, 28 de abril de 2010

por que preto&branco é imbatível...


Alexandre Godinho cinematográfico & poético como sempre!
Sim, eu sou fã e queria fotografar como ele um dia.

terça-feira, 27 de abril de 2010

domingo, 25 de abril de 2010

poesia da simplicidade

Impressionista

Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.

Adélia Prado



Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com
faca
b) 0 modo como as violetas preparam o dia
para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas
vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência
num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega
mais ternura que um rio que flui entre 2
lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
Etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.

Manoel de Barros

sexta-feira, 23 de abril de 2010

a poesia dos cheiros

Existem um cheiro marcando forte cada lembrança minha, o leite de rosas da minha avó , o cheiro de bolo e café nas tarde da infância, o perfume do pai e da mãe, o cheiro de quentão, pinhão, das festas juninas, o cheiro de lenha queimando pra aquecer o inverno, as frésias na primavera, o cheiro das roupas da Argentina, o cheiro de marcela do meu primeiro amor, o cheiro de sexo quando o descobri, o cheiro da filha recém nascida, o cheiro de leite após a amamentação , o cheiro de terra molhada nas chuvas de verão, o cheiro de comida caseira , o cheiro do mar, dos primeiros pêssegos , das bergamotas, dos abacaxis de terra de areia, o cheiro de lençol limpo de hotel, o cheiro de citronela em Ilha Bela, o cheiro triste de eucalipto no leito de morte da minha avó( que antes cheirava a rosas), o odor que vira perfume quando nos apaixonamos, o cheiro ruim de quem deixamos de amar, o perfume que senti nas ruas de Paris, o cheiro do vinho que bebi em Brugges...
Ah, o quanto todos esses cheiros passados acabam sendo também personagens da minha história, mais que isso, autores, quando me assaltam inesperadamente e me levam de volta...
De repente um cheiro antigo num abraço novamente, um café da tarde, nas tardes que quase desisto, uma primavera de frésias em pleno inverno e rastros daquele amor de descobertas e crenças. Depois Paris, Ilha Bela, Itaqui, bergamotas no pé...Ecos de gargalhadas...A minha filha, com seus novos cheiros diariamente, framboesa, morango, pipoca, chocolate...e o cheiro dela, doce por natureza.
Ah, o cheiro bom do beijo, misto de respiração e saliva, quando nos apaixonamos...
Existem vários tipos de gente, há quem guarde fotografias, fitas de vídeo, discos de vinil, memórias em diários, livros com dedicatórias, eu sou uma saudosista olfativa, minhas memórias mais vivas são os cheiros que vivi e tenho guardados pra sempre.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

por que um abraço é poesia pura!



Essa campanha poética merece ser brindada!

a poesia que meus amigos do facebook me dão:

Juliano traz a parte que faltava do poema do Leminski que só cito o final:
"Amor, então, também acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima..."


A Valentina me lembra Carlos Drummond de Andrade e da importância de continuar procurando:

"Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida."

terça-feira, 20 de abril de 2010

poesia-parto

A poesia
É uma espécie
De parto
É preciso despertar o sentimento
Disforme de dentro
Tratá-lo com o cuidado
Que se dedica a um filho
Dar abrigo, uma roupagem nova
O sentimento, dentro, está despido
Parece e sempre é
mais frio lá fora
Combinamos as peças, as cores
Caprichamos no penteado
abrimos a janela
E vai o sentimento
Vestido de palavras
Personalizado e livre
vira voador
e ganha o céu...
por isso lá de longe
contraluz
nem parece mais nos pertencer
tão maior que seu casulo...

por que Pessoa e Bethânia combinam...

poesia de se ver...


Por que o Viaduto da Borges e o olhar do Alexandre Godinho, são poéticos!

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