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Mostrando postagens de agosto, 2011
Palavra (En)cantada...
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Os Três Mal-Amados
João Cabral de Melo Neto
Joaquim:
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesoura...
"a arte inventa a vida "
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A vida bate de Ferreira Gullar
Não se trata do poema e sim do homem
e sua vida
- a mentida, a ferida, a consentida
vida já ganha e já perdida e ganha
outra vez.
Não se trata do poema e sim da fome
de vida,
o sôfrego pulsar entre constelações
e embrulhos, entre engulhos.
Alguns viajam, vão
a Nova York, a Santiago
do Chile.
Outros ficam
mesmo na Rua da Alfândega, detrás
de balcões e de guichês.
Todos te buscam, facho
de vida, escuro e claro,
que é mais que a água na grama
que o banho no mar, que o beijo
na boca, mais
que a paixão na cama.
Todos te buscam e só alguns te acham.
Alguns
te acham e te perdem.
Outros te acham e não te reconhecem
e há os que se perdem por te achar,
ó desatino
ó verdade, ó fome
de vida!
O amor é difícil
mas pode luzir em qualquer ponto da cidade.
E estamos na cidade
sob as nuvens e entre as águas azuis.
A cidade.
Vista do alto
ela é fabril e imaginária, se entrega inteira
como se estivesse pronta.
Vista do alto,
com ...
Parabéns, meu velho!!!
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Hoje meu pai, se já não fosse eterno, estaria de aniversário! Saudade é luz !
Meu velho, boa gente, brincalhão, carinhoso e cheiroso é minha referencia de vida, como cantava o Peninha: "ter saudade até que é bom, é melhor do que caminhar vazio"...e sou grata pelo tempo que pude aproveitar a convivência e o amor dele!
Por que amor me faz bem!!!
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Enluarei faz três dias
por que ser tatu-bola
faz doer as costas
eu desenrosquei
deixei a agua pingar
bem no meu centro
se pingo
"infantiliza formiga"*
havia de me servir
e de dentro,
uma semente
quase árvore,
já nasceu acesa
mesmo sem ter fundamento
sem raiz
deu de brotar
só por vontade
de repente galho e folha
abana
só balanço e passarinho
vai ver se enreda no vento
nasceu pra ser voador
isso que parecia nó de peito
estava era inviesado e sem jeito
coisa que carece ter asa
não combina com guardado
coisa que suspira cor
não combina com escuro
assim
virei árvore que voa
desisti de ser muro
coisa nem tão forte assim...
*infantilizar formiga é uma sacada poética, entre tantas maravilhas do Manoel de Barros, a quem eu dedico esse poema...ele, assim como o amor, me faz bem...
De repente...
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Sai do filme levinha, pronta pra um amor bonito, a lua rindo pra mim, me fez cantar diferente a música do Arnaldo Antunes: meu coração, bate por saber, que meu peito é uma porta, que alguém vai atender... Tinha estrelas alem da lua sorridente, amanha fará sol e eu sei... Não foi o filme: Estranhos normais ( mas assisti-lo vale! Éuma viagem doida e boa) O que aconteceu, de repente: foi uma sensação-certeza que que nasceu no escuro e me iluminou! Isso de magia e certas poções, vem mesmo é das misturas internas, com o tempo, basta quere e deixar que se iluminem!