segunda-feira, 28 de março de 2011

metade...



Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.

Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio…

Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que triste…

Que a mulher que eu amo
seja para sempre amada
mesmo que distante.

Porque metade de mim é partida,
mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,
como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos.

Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz
que eu mereço.

E que essa tensão
que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.

Porque metade de mim é o que eu penso,
mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce sorriso,
que me lembro ter dado na infância.

Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.

E que o teu silêncio
me fale cada vez mais.

Porque metade de mim
é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba.

E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.

Porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada.

Porque metade de mim é amor,
e a outra metade…
também

Ferreira Gullar

domingo, 27 de março de 2011

um adagio pra viver o domingo ...



Beethoven (1770-1827)
Concerto para Piano nº 5 em Mi Bemol Maior,
Adagio un poco nosso

segunda-feira, 21 de março de 2011

deve ser por que eu ando BOCÓ...

como o Manoel* me ensinou..

Enluarei faz três dias
por que ser tatu-bola
faz doer as costas
eu desenrosquei
deixei a agua pingar
bem no meu centro
se pingo
"infantiliza formiga"*
havia de me servir
e de dentro,
uma semente
quase árvore,
já nasceu acesa
mesmo sem ter fundamento
sem raiz
deu de brotar
só por vontade
de repente galho e folha
abana
só balanço e passarinho

vai ver se enreda no vento
nasceu pra ser voador
isso que parecia nó de peito
estava era inviesado e sem jeito
coisa que tem que ter asa
não combina com guardado
coisa que tem cor
não combina com escuro

virei árvore que voa

desisti de ser muro
coisa nem tão forte assim...

sexta-feira, 18 de março de 2011

poesias lindas..do Manoel de Barros

Que o Achutti nos deu de presente no facebook: Deu vontade de carregar pra sempre água em peneira...



"com o tempo a gente aprende, que o tamanho das coisas, há de ser medido, pela intimidade que temos com as coisas...deve ser assim como amor"

quarta-feira, 16 de março de 2011

Bilhete...

Se tu me amas, ama-me baixinho
...Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
...Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho . . . . ,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

Ah , que delicia esse poeminha do Mário Quintana que o Marco Fronckowiak lembrou lá no facebook...poesia on line...

Mais um pouquinho de amor...

segunda-feira, 14 de março de 2011

voltando pra dentro...

Lembro que quando criança,eu passava tarde inteiras fazendo imagens nas nuvens, naquela cidade pequena, com quase nenhum movimento nas ruas de paralelepídedo, meu brinquedo era flutuar e imaginar...Depois, ganhei de presente da minha mãe, meu primeiro caleidoscópio e ficava um tempo enorme me enchendo de cor e reflexos, concentrada...eu era pra dentro, apesar do meus olhos estarem pra fora...eu era silenciosa, pensativa, quase triste...

Depois, por que fiquei adolescente e o mundo não costuma respeitar quem fica pelos cantos, me forcei a ser do centro, e falar mais do que pensar, a fazer os outros rirem, por que na adolescência ser aceita é uma condição doída e necessária, eu comecei a viver mais e mais pra fora...e os momentos de dentro, eram preenchidos com diários...

Mais tarde, os diários pareceram obsoletos e numa queima de passado fiz virarem cinzas... Comecei a fazer poesia, curtinhas, e eram meus diários mais compactos, relendo-as sei bem que emoção foi geradora de cada uma, que amor, que momento, que silêncio...Mas de fato, eu sei que vivia cada vez mais pra fora...

Hoje um amigo me mostrou: tenho 1.000 pessoas no facebook, e de repente isso tudo me pareceu demais.
Entendi que entrei nesse mundo de super exposição, câmeras e milhões de assuntos, no meio de tanto, tanto movimento, onde toda e qualquer emoção parece banalizada, senti vontade de parar, só um pouquinho...(pode ser Tpm)
Senti falta do tempo e da disponibilidade de me olhar, de rever minhas nuvens e reflexos internos...um pouco menos pra fora e muito mais entregue e silenciosa, me permitindo ser, diante do meu olhar mais atento...



Pra incorporar essa sensação, peguei essa foto bonita da Vicky Fernandez, por que tenho um carinho sem fim por varal...um fascínio pelas roupas criando vida própria, as camisas brancas do meu pai abanando em pleno vôo...

Acho que ando precisando de pátio,varal, silêncio...e sossegar ao fim do dia com banho quente, café com leite, pão com manteiga...ou com bolo recém feito lotadinho de dulce de leche...
Naquelas tardes minha mãe ou avó me chamava pra dentro... agora é o tempo , e a saudade...de mim...

terça-feira, 8 de março de 2011

Ser mulher é dificil pra ovário (e lindo!)



Um carinho na alma pra comemorar nosso dia,copiado do Roberto pra vocês!

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