quarta-feira, 15 de abril de 2015

sobre barcos, poças & mar ...


Não vai ser o primeiro amor não concreto
não será essa a única carta
que o destinatário não receberá
não será essa uma dor nova e estranha
é frágil e fugaz, a vida e seus exercícios
e as vezes repetimos cenas
uma parte de mim talvez finja superação
ou realmente consiga rir, dançar
e tocar o barco pra outros horizontes
mas um pedacinho meu criança
fica lá na beira do cais
desamparado e impotente
como diante de uma poça seca
vendo o barquinho de papel se desmanchar
e não resistir.

Não sei se a dor
é perceber o efêmero
se é crer na força de barcos frágeis
se é tentar transformar poças em mar
Se a dor é esse processo de crer-descrer
se é o medo de perder o ânimo e o gosto de navegar!

Talvez a dor
seja não reconhecer que a eternidade
de um sentimento
contrariando tudo que aprendemos
pode ser de um dia, uma semana, um ano,
resolvo não negar a importância do que senti...

Estar na água dissolve barcos
remove barcos, muda horizontes,
estar na água é o movimento,
necessário e preciso...
sem drama!

Respiro fundo
embolo em um canto qualquer
o rascunho de auto-piedade...
esse sim, desnecessário!

E DECIDO PELO MAR!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seguidores