sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

gente como a gente...

ah, como eu gosto de gente de verdade, com rugas de expressão reais, AMEI esse trabalho do fotografo Martin Schoelle, nesse NÃO PHOTOSHOP me parece DIGNO e VERDADEIRO como a vida deve ser!
Selecionei 3 pessoas que eu admiro imensamente e os acho lindos por isso!





Há muito tempo atrás um fotografo brasileiro fez um trabalho assim, e chamou Arquitetura do tempo, fui procurar o texto e felizmente ainda penso igual, admiro gente que deixa a vida desenhar seu rosto e valoriza cada traço, por que sabe o tanto de emoção e história representa...

essa surgiu há anos
quando forçei um sorriso
essa outra
na primeira vez que deu errado
e fiquei fraca
já essa foi de fechar os olhos
medos,surpresas,caretas,risadas
as outras
por outras histórias
de amor,tentativas,excessos
por sol,luz,vento
são meu tempo
diário de bordo
meus mapas

Vejo ruga assim, como cúmplice, com essa intimidade parceira de quem estava comigo, acompanhando meus risos, choros, me dando um formato, gerando minha carta aberta.
Então foi com muita alegria que soube de uma exposição do fotógrafo André Gardenberg, chamada inteligentemente de Arquitetura do Tempo, lá estão pessoas variadas e suas rugas, provando que rosto que viveu fica marcado e marca não necessariamente é dor. Contrariando a proposta atual de beleza artificial e idealizada, sem marcas, sem sinais, despida de emoção e de humana realidade, em plena era de belos feitos em photoshop, ele arrisca mostrar que bonito, é gente de verdade, é gente que fez história e se orgulha do que o tempo arquitetou nos seu semblante, principalmente gente que não caiu na balela de que o belo é um padrãozinho a ser perpetuado, e por isso não acreditou que era preciso, repuxar aqui e ali, completar com silicone, mudar mil vezes e paralisar com botox toda e qualquer
expressão.
Tão bom quando alguém mostra o reverso, quando alguém surpreende e diz não ou sim, contrariando a expectativa.
Isso me lembrou o Nei Lisboa, que não quis abrir mão de suas verdades e da sua vidinha portoalegrense, para fazer sucesso do centro do país, já que sucesso tantas vezes é isso, mudar de cara, negar formatos, aceitar novos padrões e não necessariamente ser feliz, ele canta :”eu quero morrer bem velhinho, ali sozinho, bebendo vinho e olhando a bunda de alguém”.Ele que tantas vezes encontro sentado em bares e cafés, quer continuar Nei Lisboa e acho isso digno!
Falando em dignidade, está mais do que na hora de sermos um país maduro, país maduro valoriza seus mais velhos, não os descarta e nem os estigmatiza, não os desvaloriza e os julga descartáveis. País maduro e inteligente, presta atenção e aplaude rugas e experiência.
Envelhecer deve ser um processo lindo, de revisão, de auto-conhecimento, de perseverança, de paciência, o Mário Lago uma vez disse : “ao envelhecer nos tornamos mais tolerantes, por termos mais o que tolerar em nós mesmos”, quem envelhece com sabedoria faz isso, aprende e cresce!
Espero que tenhamos a chance e a grandeza de nos deixar envelhecer sem dor, susto e negação da história que escrevemos em nós mesmos, sorrindo para os espelhos e não fugindo deles.
Vive bem quem sabe viver cada novo momento, com toda a sua intensidade e verdade, quem se encara, quem no cara-a-cara com o tempo sabe reconhecê-lo mestre e não monstro.

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