segunda-feira, 3 de novembro de 2014

abençoada fragilidade ...

''É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chope é gelado. É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo, nas festas agendadas no calendário do de vez em quando. Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não acredita em mais nada. E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o charme. O prazo. A identidade. A coerência. O rebolado. Difícil amar quando o outro fica cada vez mais diferente do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido com alguém que não aceitamos que ele esteja. Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora. Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na plateia. Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não, exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego, da nossa rigidez, do nosso faz-de-conta, para caminhar humanamente ao seu encontro. Difícil é amar quem não está se amando. Mas esse talvez seja, sim, o tempo em que o outro mais precisa se sentir amado. Eu não acredito na existência de botões, alavancas, recursos afins, que façam as dores mais abissais desaparecerem, nos tempos mais devastadores, por pura mágica. Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade, e ,especialmente, no amor que recebemos, nas temporadas difíceis, de quem não desiste da gente.'' 
Ana Jácomo

Por muito tempo minha citação preferida foi uma do Victor Hugo que também diz isso:" a suprema felicidade da vida é ser amado pelo que se é ou mais precisamente, ser amado apesar do que se é"...  

E é... suprema e acolhedora felicidade...se permitir ser plenamente e ser aceito no todo...

Lindo é viver isso...deixar o coração passear de novo e de mãos dadas
A gente fica tanto tempo se negando voo que quase desacredita que tem asas..

o medo faz isso

nos intimida
nos desabilita
nos desacostuma da alegria
nos acomoda no menos
nos faz crença de não merecimento

não tem nada de errado em sentir
o que se sente, como se sente
e por quem se sente
a noção do erro foi aprendida
pra manter todas as hipocrisias que se conhece
a gente acredita ou não, no certo e errado deles
a gente vive e se permite ou não...


sou uma controladora nata
e boba
sempre que tenho dificuldades
em me relacionar, penso
eu tenho que ficar sozinha, eu só sei ser sozinha...
essa sensação casulo e auto-preservação

pode virar uma crença
é um medo travestido de independência
mas isso é se negar a crescer e aprender

o que todo mundo precisa?
um olhar que acolha
nossa esquisitice
nossas manias
nossos medos
um olhar que ilumine
nossos escuros
e nos garanta
que mais adiante
o caminho segue
e saberemos seguir
como soubemos
andar sem sermos segurados
pedalar sem bandear pros lados

o que todo mundo precisa
é da permanência do olhar
doce
que nos amamentou
e deu colo
como uma certeza
(que nem sempre não nos alcança)
de que ali estaremos seguros
e que a nossa fragilidade
não será contra nós usada

O que todo mundo precisa

é de um amor, como o primeiro
que nos deu útero, alimento
espaço pra crescer
tempo para ser
e depois de
um parto abrupto
nos deu no olhar/peito
sossego
capaz de alimentar
nossa fome, de segurança

mesmo sabendo
desde o primeiro abrupto
que a vida é susto
e impermanência
a gente precisa amar
(incorporar o olhar
se auto-olhar com aquela doçura)

sem nenhuma garantia
e todas as esperanças

o amor nos deixa vulneráveis

abençoada, linda e assustadora fragilidade...


Foto postada pela Fernanda Toniazzi... linda, leve e divertida, como deveria ser estar na vida! :D

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seguidores