segunda-feira, 17 de maio de 2010

Anita , Carpinejar & eu

A Anita tem um sorriso largo e um olhar bem preto e mora naquela cidade bonita que é Curitiba, há muito tempo atrás entre uma taça de vinho e uns livros folheados, me fez querer conhecer o Carpinejar, ora vejam, conheci e gosto muito, de ambos.
Hoje, no meio de uma tarde de segunda ela me traz um poema e uma saudade dita,como lembrança é uma outra forma de poema. Resolvi fazer esse post pra ela.

Aí vai um pouquinho de Carpinejar:
Poemas do livro Cinco Marias

Chega um momento
em que somos aves na noite,
pura plumagem, dormindo de pé,
com a cabeça encolhida.
O que tanto zelamos
na fileira dos dias,
o que tanto brigamos
para guardar, de repente
não presta mais: jornais, retratos,
poemas, posteridade.
Minha bagagem
é a roupa do corpo.

...

Eu fui uma mulher marítima,
as rugas chegaram antes.

Eu fui uma mulher marítima,
paisagem e pêssego,
uma faísca
entre a corda do barco
e a rocha.

Eu fui o que não sou.
Depois que inventaram o inconsciente,
a verdade fica sempre para depois.

..

Acerto o relógio pelo sol.
Percorro as dez quadras
de meu mundo.
As ruas são conhecidas
e me atalham.

...

Meu medo se interessa por qualquer ruído.
Hoje quero alguém para conversar enquanto dirijo,
baixar os faróis em estrada litorânea,
enxergar pelas mãos.

...

Fazer as coisas pela metade
é minha maneira de terminá-las.

.....

No twitter do Carpinejar:Alegria, sozinho, é uma tristeza. Tristeza, acompanhado, é uma alegria

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